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BULLYING: O QUE É?
(Do livro: “Bullying, Mais sério do que se imagina”. Mundo Jovem. POA, 2008)
O Bullying é um fenômeno que emerge de ações discriminatórias e práticas freqüentes de violência no cotidiano escolar, tratando-se de um tipo de exclusão social capaz de oprimir, intimidar e machucar aos poucos sem nunca ser declarada de fato. A origem pode estar num apelido de mau gosto, em ameaças de agressões ou simplesmente em atitudes de desprezo, nas quais a escola pode vir a tornar-se local não positivo.
Bullying deriva da palavra inglesa bully que significa “valentão, tirano” e, como verbo, “brutalizar, tiranizar, amedrontar”.
Como prática, o termo significa formas de agressão intencionais e repetitivas adotadas sem motivação evidente e direcionadas aos outros. Compreende, pois, toda e qualquer forma de atitude agressiva executada dentro de uma relação desigual de poder.
Encontra-se presente, eventualmente, em variadas situações: colocar apelidos, ofender, zoar, gozar, sacanear, humilhar, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences...
O bullying pode se manifestar de 4 formas diferentes: verbal, físico, psicológico e como cyberbullying.
Os principais sinais de que alguém está sendo vítima do bullying são: medo, pânico, depressão, distúrbios psicossomáticos e geralmente, evitam retornar a Escola, quando esta ou não sabe ou nada faz em defesa da vítima.
É bom lembrar que o bullying não aparece somente no ambiente escolar, e nem somente de aluno para aluno. Pode acontecer entre alunos e professor, professor e aluno, direção e professores e professores e direção. Todo ambiente em que ocorrer relações entre pessoas ele pode estar presente. Um exemplo disso é o assédio moral ou mobbing que está relacionado com comportamentos violentos em locais de trabalho, entre as pessoas adultas.
Para que esta prática seja combatida é preciso fundamentalmente que se realize um trabalho preventivo, tanto na escola quanto na família. Estimular os alunos a conscientizarem-se sobre o assunto é indispensável. Também propor relações respeitosas entre todos, promovendo o diálogo, a exposição de ideias e pontos de vista, atividades de integração e reflexão, valorização das diferenças, promoção de valores saudáveis e positivos de convivência e trabalhos com auto-conhecimento e auto-estima.
É papel de todos colaborar para que este tipo de prática negativa não se perpetue.
“Iludímo-nos quando pensamos que o principal conteúdo a ser transmitido sejam as informações, os dados, os significados. Isso, na realidade, é secundário. O que realmente fica são as relações que estabelecemos com quem entramos em contato”
Nailú Regina de Paula Nardi
Orientação Educacional
ESCOLA JESUS BOM PASTOR
ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
Nailú Nardi
HIPERATIVIDADE INFANTIL: TDAH
As crianças gostam de brincar, fazer bagunça e correr pra lá e para cá. Movimentam-se tanto que dão uma canseira nos pais ou em quem estiver com elas. Mas é preciso ter cuidado para não identificá-las erroneamente como portadoras do TRANSTORNO DE DÉFCIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH).
Às vezes, a criança está apenas passando por algum problema e essas características aparecem.
A psicóloga Maria Teresa Ramos de Souza explica que crianças, para serem diagnosticadas como hiperativas, devem passar por uma criteriosa avaliação de profissionais especializados como: psicólogos, psicopedagogos, neurologistas... Normalmente elas apresentam comportamentos agitados, não param quietas um só instante, estão sempre fazendo algo “errado”, sendo apontadas como um mal exemplo. Mas não é tão fácil identificá-las porque estas características se confundem com sintomas comportamentais de outras dificuldades infantis, afirma a psicóloga.
Os pais precisam ser orientados para que seja realizada uma avaliação de forma que não existam dúvidas e prejuízos no futuro da criança. Se a criança não tiver um acompanhamento correto, pode se tornar alguém com baixa auto-estima. E que tipo de adulto ela se tornará se só for encarada como um problema?
Características do Hiperativo
No Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, tem-se a orientação de diagnosticar pelo menos seis características pelo período de pelo menos seis meses e que estejam dando prejuízo para a vida da criança, como por exemplo:
· Ser inquieta (mexendo as mãos e os pés ou não parando quieta na cadeira);
· Ter dificuldade em permanecer sentada;
· Se corre sem destino;
· Se tem dificuldade em fazer uma atividade quieta ou em silêncio;
· Se fala excessivamente ou interrompe conversas de outras pessoas, sem pedir licença;
· Responder a perguntas antes de elas serem formuladas;
· Agir como se fossem movidas a motor;
· Ter dificuldade em esperar a sua vez.
A hiperatividade costuma ser mais incidente em meninos e na faixa etária dos sete aos nove anos, quando estão começando a estudar e precisam ter mais atenção, pois fica mais fácil perceber a dificuldade de concentração dessas crianças.
Elas geralmente ficam sem noção de espaço e de limites, não por maldade, mas porque não têm noção do que estão fazendo.
Para se trabalhar com hiperativos é necessário envolver todas as pessoas que tem ligação com a criança: família, escola, vovôs, empregadas, neurologista, pediatra e outros profissionais que estejam acompanhando a criança. É preciso que seja feito um trabalho comportamental, orientando, recomendando, reestruturando os ambientes e as dificuldades no dia-a-dia da criança.
Algumas dicas de como a família e a escola podem agir
· Diminuir os estímulos no quarto da criança, como, por exemplo, vídeo, computador e jogos;
· A criança deve ter horários fixos para todas as atividades (café da manhã, banho, almoço, brincar, dormir...);
· Quando os pais ou professores falarem com ela, devem solicitar que ela repita o que entendeu;
· Elogiar o que ela fizer corretamente mesmo que seja ficar sentada por cinco minutos, pois é importante para que se sinta reconhecida nas atitudes e atividades que estiver fazendo adequadamente;
· Na escola, sugere-se que coloquem a criança numa posição estratégica, mais próxima da professora;
· Convidar a criança mais vezes para ajudar com as tarefas do dia-a-dia, que a ocupem;
· Os professores devem comunicar para a criança hiperativa, as ordens e deveres, com maior freqüência do que para os outros alunos.
Os elogios são importantes porque elas são sempre lembradas apenas pelas coisas ruins que fazem.
É importante que os adultos fiquem atentos, pois as crianças hiperativas ficam com a auto-estima baixa a partir da repetição do erro, pois, apenas dessa maneira elas conseguem chamar atenção, mas é uma atenção negativa.
Acima de tudo, é fundamental que essa criança sinta-se estimulada e reconhecida.
Março de 2010
TEMPO DE ADAPTAÇÕES
Ao atuar na educação percebe-se que muitas famílias desenvolvem alto grau de ansiedade, especialmente os pais, quando os filhos vão ingressar na escola ou adaptar-se a uma nova etapa de desenvolvimento. Primeiro, há toda uma preocupação na escolha da escola, se esta apresenta e desenvolve a proposta que a família espera como valores e filosofia de vida, as quais darão continuidade ao processo educacional iniciado na família. Observa-se local, infra-estrutura, custo, enfim, uma série de atribuições para a escolha. Na seqüência, o primeiro grande desafio envolve a formação do vínculo com a professora que irá atuar com a criança: “Como será ela? Saberá dar a devida atenção que a família espera que o filho receba? Vai comunicar tudo o que estiver acontecendo?” As relações vão se formando, a criança vai desenvolvendo seus vínculos, muitas vezes chega em casa contando feliz da vida como foi a escola e em outros dias acontecem coisas que o aborrecem, assim como é a vida: nem tudo são flores. Não podemos esquecer que a escola é o local onde a criança aprende a se relacionar com outras pessoas, a trabalhar suas frustrações e suas conquistas.
No ingresso da educação infantil, a criança vive um momento delicado, pois tem de aprender, de uma só vez, a afastar-se do convívio familiar e criar novas relações afetivas. A emoção das primeiras separações é muito forte. Ela se pergunta: “Por que tenho que vir para cá? A professora vai cuidar de mim? E se minha mãe não voltar?” Os pais também sentem: “Será que meu filho vai ficar bem?”
Para que esta etapa não seja muito sofrida é necessário respeitar o tempo da criança. Esse período chama-se adaptação, aonde a criança, aos poucos vai acostumando-se com o novo ambiente e o novo grupo ao qual está sendo inserido. Esse período pode variar entre uma semana, duas semanas, um mês, dependendo de cada criança (mais tímidas ou muito novas, menos tímidas e mais autônomas) e de cada família.
Nessa etapa é de fundamental importância que a família passe segurança ao filho. Não fiquem perguntando à criança se ela quer ir à escola. Ela ainda não é capaz de decidir sozinha. È preciso que os pais ou responsáveis estejam muito seguros de sua opção, caso contrário, a criança vai perceber.
Mesmo depois de uma familiarização bem-sucedida é comum haver retrocessos. Após algum tempo sem a mãe na escola, muitas vezes, a criança fica triste, agressiva ou não participa das atividades em grupo. Também pode começar a apresentar comportamento regressivo em casa, como chupar o dedo ou fazer xixi na cama... É difícil saber ao certo por que isso ocorre. Talvez uma briga com um amiguinho ou a ausência da professora por um dia. Nesses casos, busque informações na escola e combine com a professora uma ação conjunta.
É importante lembrar que a separação é um processo que gera sentimentos que precisam ser entendidos. Os pais não devem se sentir envergonhados se o filho não aceita a nova situação com a mesma facilidade de outras crianças. Cada um pode ter uma reação diferente em momentos de mudanças. Se ele não tiver adaptado até mais ou menos um mês de aula, deve-se considerar a possibilidade de adiar o ingresso na escola por seis meses ou um ano.
Já quando o aluno vai ingressar na quinta série, a família desencadeia o processo de ansiedade novamente, principalmente, porque a maioria das escolas atua com uma quantidade maior de professores nesta série, variando de escola para escola. Os pais acabam passando para os filhos um certo nervosismo, uma expectativa de que a quinta série é muito complicada. Na verdade, o ponto que assusta os pais é a aparente falta de um indicador, ou seja, ter um professor como referência para as informações relativas ao seu filho, aquele com o qual a família sabe que conhece e que o informa. Na quinta série as famílias continuam tendo um professor de referência que é o Conselheiro (aquele que está vinculado a turma de uma forma mais próxima e profunda), conta também com o auxílio dos serviços que a escola oferece (Orientação Educacional, Coordenação Pedagógica...) para comunicar as famílias de todas as informações necessárias para o bom desempenho do aluno.
As exigências da série não são impossíveis de serem realizadas, nota-se, porém, que muitos ainda querem e necessitam brincar bastante. O troca-troca de períodos, bem como de professores faz com que muitos alunos no começo do ano se atrapalhem um pouco, principalmente na organização do material. Neste período, é fundamental que os pais ou responsáveis auxiliem os filhos a organizarem suas pastas, lembrando-os de verificar o horário diariamente e observar se eles estão realizando todas as atividades propostas.
Estimular o filho/aluno a desenvolver sua autonomia (independência), elevando sua auto-estima e pontuando a importância de saber respeitar os colegas e professores também é fundamental.
(Texto elaborado a partir de material das psicopedagogas Adriana Tavares e Vera Regina Magnaguagno)
Serviço de Orientação Educacional
Nailú R. P. Nardi
Março de 2010 |